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MAIS DE UM BILHÃO DE PESSOAS SOFREM COM ENXAQUECA E TRATAR APENAS A DOR É INSUFICIENTE

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MAIS DE UM BILHÃO DE PESSOAS SOFREM COM ENXAQUECA E TRATAR APENAS A DOR É INSUFICIENTE

Durante muito tempo, a enxaqueca foi tratada como se fosse simplesmente uma dor de cabeça mais forte. Hoje sabemos que essa visão é insuficiente.

A enxaqueca é uma doença neurológica complexa, influenciada por mecanismos cerebrais, predisposição genética, sistema trigeminovascular, mediadores como o CGRP e, em determinadas formas da doença, alterações na excitabilidade cortical. Mais de um bilhão de pessoas no mundo vivem com enxaqueca, e as mulheres são afetadas aproximadamente duas a três vezes mais que os homens.

O problema é que uma parte considerável dessas pessoas passa anos alternando crises, analgésicos, consultas e períodos de melhora, sem compreender por que seu organismo continua entrando naquele mesmo padrão.

É precisamente nesse ponto que a medicina integrativa e funcional apresenta uma de suas contribuições mais interessantes.

NÃO OLHAR APENAS PARA A CABEÇA, MAS PARA A PESSOA

Um dos princípios centrais da medicina integrativa contemporânea é simples: o diagnóstico importa, mas a pessoa que possui o diagnóstico também importa.

O Andrew Weil Center for Integrative Medicine, da Universidade do Arizona, descreve a medicina integrativa como uma ponte entre a medicina convencional e uma assistência orientada para a saúde e para a pessoa como um todo, utilizando abordagens baseadas em evidências.

Essa mudança de perspectiva é particularmente importante na enxaqueca.

Duas pessoas podem receber exatamente o mesmo diagnóstico e, ainda assim, apresentar histórias completamente diferentes.

Uma piora quando dorme pouco.

Outra passa mal quando fica muitas horas sem comer.

Outra percebe relação importante com o ciclo menstrual.

Outra vive sob estresse permanente.

Outra apresenta distúrbios do sono, alterações gastrointestinais, alimentação irregular ou determinados desencadeantes ambientais.

Portanto, tratar bem a enxaqueca exige mais do que perguntar:

“Qual remédio tira a dor?”

Também é necessário perguntar:

“O que está aumentando a vulnerabilidade deste organismo às crises?”

Essa avaliação deve ser individual. Não existe uma lista universal de alimentos ou gatilhos que sirva para todos.


NUTRIÇÃO: NÃO É APENAS “COMER MELHOR”

Alguns nutrientes vêm sendo estudados especificamente na prevenção da enxaqueca.

Magnésio, riboflavina — vitamina B2 — e coenzima Q10 estão entre os nutracêuticos mais pesquisados. A evidência não permite dizer que funcionam para todos, mas existem resultados suficientemente interessantes para que sejam considerados em determinados pacientes.

Um estudo clássico com riboflavina, por exemplo, encontrou redução de ataques maior no grupo que recebeu vitamina B2 do que no grupo placebo. Revisões posteriores continuam considerando a riboflavina uma possibilidade preventiva para alguns pacientes.

O magnésio também possui evidências de possível benefício preventivo, especialmente em alguns perfis de enxaqueca. Entretanto, dose elevada não deve ser tomada indiscriminadamente: pode provocar efeitos adversos e interagir com medicamentos, além de exigir cuidados especiais em pessoas com determinadas doenças, sobretudo alterações renais.

É exatamente aqui que medicina integrativa séria se diferencia de automedicação: personalizar não é tomar dezenas de suplementos; é saber o que faz sentido para aquela pessoa.

ELETROACUPUNTURA E TRATAMENTOS NÃO FARMACOLÓGICOS TAMBÉM TÊM UM GRANDE ESPAÇO

A acupuntura talvez seja um dos melhores exemplos de uma terapia tradicional que atravessou a fronteira entre medicina complementar e pesquisa clínica moderna.

Avaliações reunidas pelo National Center for Complementary and Integrative Health indicam evidência de qualidade moderada de que a acupuntura pode reduzir a frequência das enxaquecas. Comparações com tratamentos medicamentosos preventivos também encontraram resultados favoráveis em determinados estudos, embora parte do efeito observado possa estar relacionada a fatores inespecíficos do tratamento.

Técnicas de relaxamento, intervenções comportamentais e algumas formas de biofeedback também vêm sendo estudadas.

Mais uma vez, não estamos diante de uma “receita milagrosa”.

Estamos diante de ferramentas diferentes que podem ser combinadas de maneira racional.

MOVIMENTO E EXERCÍCIO TAMBÉM FAZEM PARTE DO TRATAMENTO

A medicina funcional chama atenção ainda para algo simples e frequentemente negligenciado: o movimento.

Revisões citadas pelo Institute for Functional Medicine encontraram redução da carga da enxaqueca com programas de exercício. Uma meta-análise de 2024 identificou benefícios de modalidades como exercício aeróbico e yoga para alguns desfechos da doença.

Isso modifica completamente a ideia de tratamento.

O paciente deixa de ser alguém que apenas espera a próxima crise para tomar alguma coisa.

Ele passa a participar ativamente da construção de um organismo menos vulnerável aos fatores que favorecem suas crises.

MAS EXISTE UM PONTO QUE PRECISA SER DITO

Valorizar a medicina integrativa suple todo o tratamento sem precisar de drogas alopaticas

O conhecimento sobre o CGRP, por exemplo, tornou-se tão importante que medicamentos direcionados a esse mecanismo hoje fazem parte das opções preventivas de primeira linha defendidas pela American Headache Society. A evidência disponível para essas terapias é substancial.

Não é necessário escolher entre:

“somente remédios”

“e sim terapias naturais sem efeitos colaterais para conseguir o resultado desejado”.

A medicina integrativa, quando praticada com seriedade, propõe:

usar o melhor recurso disponível para aquela pessoa, enquanto se investigam os fatores que podem estar mantendo sua vulnerabilidade às crises.

O GRANDE DIFERENCIAL ESTÁ NA INDIVIDUALIZAÇÃO

Talvez essa seja a contribuição mais valiosa das grandes tradições médicas centradas na pessoa e também da moderna medicina integrativa:

não existem apenas doenças; existem pessoas adoecendo de maneiras diferentes.

Na enxaqueca, isso importa profundamente.

O que desencadeia uma crise em uma pessoa pode ser irrelevante para outra.

O nutriente que ajuda uma pode não mudar nada em outra.

A intervenção que funciona magnificamente para determinado paciente pode ser insuficiente para o seguinte.

Por isso, o verdadeiro trabalho clínico não consiste em procurar uma substância milagrosa.

Consiste em reconhecer padrões, investigar desencadeantes, compreender a história individual, corrigir fatores modificáveis e montar uma estratégia progressiva de prevenção.

É uma medicina que pergunta mais antes de concluir.

Que observa mais antes de padronizar.

E que procura devolver ao paciente uma participação ativa no próprio tratamento.

O OBJETIVO NÃO DEVE SER APENAS SOBREVIVER À PRÓXIMA CRISE

Uma estratégia completa busca:

• reduzir o número de crises progressivamente até a cura;

• diminuir intensidade e duração;

• recuperar sono, trabalho e vida familiar;

• reduzir incapacidade;

• evitar uso excessivo de medicamentos para crises;

• reconhecer desencadeantes individuais;

• fortalecer hábitos protetores;

• utilizar terapias farmacológicas e não farmacológicas de maneira criteriosa;

• acompanhar a evolução durante semanas e meses.

Embora atualmente existe tratamentocomprovado capaz de garantir cura definitiva da enxaqueca para a maioria das pessoas, isso significa que o paciente esteja condenado a permanecer exatamente como está. Há diversas estratégias capazes de produzir um saneamento clínica importante.

Essa proposta muito mais poderosa quando se deseja praticar uma medicina responsável.

Dr. Carlos Roberto Medeiros Lopes    02 de setembro de 2026
CRM 65150

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Dr. Carlos Lopes
Dr. Carlos Roberto Medeiros Lopes, formando na Unicamp em 1990 dedicou a sua carreira aos estudos nas filosofias de Hipócrates que tinha a alimentação como base terapêutica dizia o mestre Hipócrates “Fazei do teu alimento o seu remédio e seu remédio seu alimento”, a partir daí se dedicou a desenvolver protocolos de tratamento com vitaminas, sais minerais, aminoácidos e ervas para o tratamento de doenças agudas e crônicas.

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